O começo de tudo: o solo vivo

O maior trabalho não é plantar, mas criar solo vivo. 
Antes de plantar, precisamos conversar o tempo todo com o solo e escutar profundamente o que o solo precisa. 
O solo quer ossos, conchas, rochas, cinzas, folhas, galhos, troncos, cascas, frutos, composto, humus, minhocas, artrópodos, insetos, colêmbolas, protozoários, fungos, algas, bactérias.
Quer engendrar interações, simbioses, associações, relações, cooperação.
Ou seja, vida.
Assim é desde que o mundo é mundo.
A agricultura baseada em insumos químicos matou vastas extenções de solo e provou que não irá magicamente alimentar a humanidade. Os campos estão hoje improdutivos, nada mais cresce alí. O solo está cansado, compactado, doente, intoxicado. Entretanto, os processos naturais de regeneração acontecem o tempo todo, e se simplesmente deixarmos esse pobre solo em paz, em 10 anos ele estará coberto de vegetação nativa e terá recuperado suas complexas interações e fertilidade.
O começo de tudo não é plantar, é escutar o solo, perguntar ao solo o que ele quer ser. Resgatar a memória do solo e com isso resgatar nossa própria memória, nossa sabedoria ancestral sobre os ciclos naturais.
Quando nos agachamos, colocamos as mãos na terra e escutamos em silêncio, sentimos que o solo, como nós, respira. A partir desse momento sabemos que somos uma entre as milhares de formas de vida que o solo natural abriga e que nossa existência depende diretamente de ativarmos o poder do solo vivo.

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